
As crianças estavam no quarto brincando. Todos de banho tomado, esperando por seu pai. Assim como eu fazia. Mas enquanto eles brincavam, eu sentava no sofá vermelho e o esperava. Sabia que chegaria cansado do trabalho, assim como eu também estava exausta, mas se tínhamos uma certeza era que no final do dia, não importasse o humor, o cabelo, a roupa, qualquer coisa, eu estaria ali, naquele sofá vermelho esperando ele chegar.
Era incrível como ainda sentia saudade. Tinha o visto na hora do almoço e agora já estava contando os minutos para vê-lo. Era sempre assim. Todos os dias. Quando casamos ambos prometeram que não mudariam. Sabíamos que às vezes a rotina podia desgastar o casamento, mas nos esforçávamos para não cair na rotina. Apesar de que havia uma coisa que jamais mudaria: o sentimento. O amor.
Ouvia o barulho do carro chegando. Parecia uma adolescente. O coração acelerava, as pernas tremiam, começava a me arrumar e quando então a porta se abria, novamente, eu travava. Mais uma vez, me apaixonava por aquela pessoa. Que agora era meu marido. Fora meu namorado durante anos e agora era bem mais que isso. Não importava como eu o chamava, era meu. De alguma maneira, me pertencia. Assim como a recíproca era verdadeira.
O vi colocar a pasta no sofá, fechou a porta, largou a chave em cima da estante e veio ao meu encontro. Me abraçou forte, beijou o topo da minha cabeça e sorriu. E toda vez que eu olhava para aqueles olhos, para ele, eu poderia jurar quantas vezes fosse preciso que eu o amaria até a última batida do meu coração. Poderia jurar que nada me tiraria dali. Daquela casa, daqueles braços. Dele!
Nos sentamos no sofá e como se fosse a primeira vez, me abraçou e ficamos ali. Como era todos os dias. Conversando por longos minutos, até ouvir a voz de Benjamin gritando: Papai! Papai! E vir correndo ao nosso encontro. Em seguida, vieram mais quatro. Correndo e pulando em cima de nós. E então, lá estávamos nós. Uma família. Completos. Como sempre foi e sempre seria.
Renata Rigon.

1 comentários:
QUE AMOR! Que seja eterno mesmo Rê! Você escreve muito bem... Muito amor! Besitos, Ka.
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