"Tá tudo certo. Eu vou me mudar em Setembro."Sentiu o coração ficar pequeno e apertado. Sentiu como se tivessem aberto um buraco e ela estava ali, na beira.
Ela já estava se acostumando a ver as pessoas que mais gostavam indo para longe dela. Tinha amigas virtuais, as quais só se comunicava por cartas. Sim, cartas. Em pleno século XXI, ela era uma garota que ainda escrevia cartas para as amigas, para os amigos e principalmente, para a pessoa que ela mais gostava, seu namorado. Então já estava um pouco acostumada a conviver com pessoas queridas longe dela. Se acostumara com a sua melhor amiga do outro lado do oceano porque sabia que um ano depois ela estaria de volta, mas não queria se acostumar com a pessoa que tanto gostava longe dela. Não queria e não iria se acostumar.
Mil e uma coisas passaram na sua cabeça: "Quem iria fazê-la sorrir todos os dias? Quem iria ficar brincando com ela de lutinha?" E tantas outras coisas mais. Ela não conseguiria achar mais graça para ir para a faculdade, afinal, ele era o maior e melhor motivo de estar lá todos os dias. E sem contar que os domingos voltariam a ser chatos e monótonos. Ela não queria se separar do seu namorado e se fosse preciso, se submeteria a um namoro a distância.
Então, tentou controlar todos os pensamentos para não começar a chorar ali na frente dele. Foi então que ouviu aquela voz macia dizer: "É brincadeira, bobona. Eu não vou embora."
Aí sim sentiu um alívio imenso, sentiu o coração bater normalmente e pode sorrir tranquilamente. Sua vontade era falar: "Nunca mais, nunca cogite a ideia de sair do meu lado. Porque eu realmente não sei o que faria se você não estivesse aqui." Mas por não saber usar as palavras simplesmente o abraçou e sabia que se o mundo acabasse ela estaria no lugar mais seguro do mundo: os braços dele.

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